14 de julho de 2013

Mais uma do inenarrável Monteiro


Pondo a tocar uma cassete cheia de bafio , em prosa no Expresso online Henrique Monteiro atira-se aos Verdes e fundamenta toda a sua diatribe no facto de  aquele partido nunca ter concorrido sózinho a eleições.

Fico à espera que Henrique Monteiro me conte a que eleições é que a ASDI (com quem o PS se coligou na FRS em 1980), e que era dirigida por Sousa Franco, concorreu antes de 1980 e se depois dessas eleições, os seus deputados eleitos nas listas da FRS não ocuparam os seus lugares e não exerceram todos os direitos que os Verdes tem  exercido.

11 de julho de 2013

Tantas notícias sobre a Bolívia e as FARC e nunca nos contaram isto !

 enterrados não certamente assim...
... mas talvez assim

O facto de estar longe de ser um apoiante de todas as orientações ou métodos das FARC não me impede de registar que alguns jornais portugueses e estrangeiros dão hoje a notícia de que o Conselho de Estado da Bolívia revogou a decisão tomada há 11  anos de dissolver a União Patriotica - considerada um partido próximo das FARC -  alegando que a comisão eleitoral que tomou tal decisão  não ponderou o «genocídio político» de que aquele partido tinha sido alvo. As notícias explicam depois que «os primeiros assassínios aconteceram logo em 1986, meses depois da UP se estrear nas legislativas com a eleição de 14 senadores e congressistas. Na década seguinte, três mil militantes e dirigentes - incluindo dois ex-candidatos presidenciais e oito congressistas -foram mortos pelas forças de segurança, paramilitares de direita ou narcotraficantes ».

Cá e no estrangeiro li milhares e milhares de palavras sobre Ingrid Betancourt mas só agora me deram a ler estas. Porque será ?

4 de julho de 2013

Se perguntar não ofende, pergunto a Pacheco Pereira...


(...)Do outro lado, da esquerda, o PCP tem-se mostrado um deserto ideológico e político, preso numa linguagem de pau, em que o “Pacto de Agressão” é uma versão de como a escolástica se sobrepõe ao debate (...)
José Pacheco Pereira aqui

E eu, que até sou um adepto do
«nem sempre sardinha, nem sempre galinha» pergunto:
porque é que

"memorando de entendimento» ou
«memorando da troika»

repetidos mil vezes  não são
"língua de pau"

mas 
«pacto de agressão»
repetido cem vezes 
já é «língua de pau» ?


Será que convém que o debate se faça apenas em torno de definições brancas e neutras ou, pelo contrário, não será que é com caracterizações claras que melhor se pode debater ?

Máquina do tempo ou parece que foi há 10 anos



28 de junho de 2013

A última de Vasco Pulido Valente Correia Guedes

Com aquela empáfia que faz parte do seu código genético (embora os seus respeitáveis pais estejam absolutamente inocentes), Vasco Pulido Valente termina hoje no "Público" a sua crónica sentenciando, como sempre sem apelo nem agravo, que «a greve geral não passa de uma homenagem obsoleta a uma tradição morta». Confesso a minha poderosa e devastadora desilusão. É que eu estava à espera que quem está sempre a  conduzir-nos para as experiências e lições do século XIX português tivesse acrescentado algo como «O que, aliás, já acontecia no tempo de Fontes Pereira de Melo».

24 de junho de 2013

Quando Rui Tavares facilita numas coisas e complica noutras

O eurodeputado Rui Tavares, em entrevista ao «i», volta hoje a insistir na sua mais recente guitarrada, ou seja, a de que nem vale a pena discutir a saída do euro porque, segundo ele, para um país sair do euro seria  preciso uma alteração dos Tratados e a sua (difícilima) ratificação por todos países da União Europeia, pelo que, também segundo ele, a única decisão que Portugal pode livremente tomar seria sair da União Europeia.

Ora, parece-me a mim que, a este respeito, há três coisas que Rui Tavares manifestamente esquece ou não conta:

: que, se fosse caso disso, as situações de facto criadas pela vontade de um Estado podem ter mais força que a letra dos Tratados;

2ª: que, o pessoal da União Europeia, cujas artes jurídicas têm uma longuíssima tradição, como bem se viu quando desarrincaram soluções jurídicas para contornar o «não» em alguns referendos, certamente não deixariam de ajudar Portugal a arranjar um esquema ou escapatória qualquer;

E, sobretudo, : que Rui Tavares das muitas vezes em que andou a defender que os portugueses elegessem por sufrágio popular o chefe da REPER portuguesa em Bruxelas nunca se lembrou que para isso era preciso alterar a Constituição portuguesa e também das muitas vezes em que tem defendido que haja um Chefe de Governo europeu eleito directamente pelos cidadãos dos 27 países nunca se lembrou nem escreveu que, para isso, também os Tratados teriam de ser alterados e ratificados pelos Parlamentos dos 27 países da UE e que, em quase todos, seria preciso operar revisões das suas Constituições.

Chama-se a isto coerência de argumentação.

20 de junho de 2013

Explicação caridosa a um totó chamado João Miguel Tavares

Hoje, na última página do Público, o único clown político contratado para aquele espaço, de seu nome João Miguel Tavares, escandaliza-se por, numa sua fulgurante descoberta, ter encontrado na Net um texto da FENPROF que salienta que «o governo português aposta numa política  de onde se destacam a redução do défice público, a privatização de serviços, uma forte ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e a perversão dos próprios serviços públicos com a introdução de modelos ditos de gestão empresarial, bem como de lógicas de mercado que conduxiriam, a concretizar-se, à subversão do modelo constitucional e ao completo esvaziamento das funções sociais do Estado».

Depois de preparado o suspense, ele explica então aos leitores que este texto não de ontem ou anteontem mas sim de 2003 e mais à frente levanta uma extraordinária pergunta : «se o mundo é hoje radicalmente diferente, como é possível que as palavras de 2013 sejam iguais às de 2003?»

A esta pergunta só me possível responder opinando que João Miguel Tavares deve julgar que o mundo começou com a sua chegada à adolescência e que isso o impede de perceber que a política de direita e os seus objectivios fundamentais tem muito mais que 30 anos em Portugal  e que não se pode pedir às palavras que tenham a mesma elasticidade quanto a ritmos e graus que ao longo do tempo têm marcado essa política. A não ser que J.M. Tavares ache que era dever dos opositores da política de direita em 2003, de cada vez que a criticassem, logo acrescentassem que «quem sabe se em 2013 não será ainda muito pior».

O pobre do João Miguel Tavares mostra ainda a sua admiração por em 2003 já se usar em Portugal o adjectivo «neoliberal». 

E só há uma explicação para esta boca alarvemente aberta: é que J.M. T. soube usar a NET para encontrar um texto com 10 anos mas já não soube usar o Google para procurar o «neoliberalismo». Se otivesse feito, teria descoberto qualquer coisa a ver com o neoliberalismo na segunda metade da década de 70 no Chile de Pinochet, teria dado de caras com Milton Freedman e os «Chicago Boys» e teria revisitado as políticas de Thatcher e Reagan.

Mas a ignorância atrevida e o reaccionarismo furtaram-no a esses esclarecedores encontros, pelo que daquele teclado só podia sair, como saiu, dislate após dislate.

Por que é que cá não fazem capas assim ?

Vê-las (às letras) mais de perto aqui

13 de junho de 2013

Palavra de Costa-Gravas e outros: Barroso é «um inimigo para a Europa»

Por cá, assolados que estamos todos os dias com novas agressões e ataques, ninguém parece estar a dar muita atenção à gravíssima questão dos acordos comerciais  e das negociações para um novo tratado de comércio livre entre a UE e os EUA, incluindo as ameaças do fim da chamada «excepção cultural». Por issso mesmo, convém ler aqui no «Huffington Post» o manifesto de Costa-Gravas e outros três realizadores de cinema.

10 de junho de 2013

Condecorações do 10 de Junho - duas coisas em que reparei

Eu sei de grandes universitários que nunca receberam nenhuma mas o  notável historiador Rui Ramos já tem uma:

O militar de Abril Carlos Beato e o jornalista João Paulo Diniz é claro que merecem a Ordem da Liberdade mas, como só dois cidadãos a receberam este ano, palpita-me que é porque todos os mais destacados combatentes pela liberdade  já a receberam e já escasseia o campo de escolhas...


7 de junho de 2013

CDS: quando chegar aos 5% talvez atire a toalha para o ringue

Última sondagem do «Expresso»:

Deste nada há a esperar porque já não pode ser reeleito mas...
... estes, se chegarem um bocadinho mais abaixo, talvez deitem contas à vida.

10 de maio de 2013

Vá lá, Jerónimo, faz a vontade à Raquel


A sempre muito rubra Raquel Varela manifesta aqui o seu deslumbramento com as posições radicais e «aguerridas» do ex-vereador do PSD na Câmara Municipal do Porto, Paulo Morais e põe-as em contraste com o que chama de « tom lamechas e de queixume que é o mote dos dirigentes políticos como Louçã e Jerónimo de Sousa».

Por uma vez, dou-lhe inteiramente razão. E, por isso, daqui apelo a Jerónimo de Sousa para que um dia destes faça o pino na primeira fila da bancada do PCP na AR, dispare uma pistola de água sobre Passos Coelho ou atire uma chave de fendas contra a madeira da bancada do governo, ou ainda que leve todos os deputados do PCP a iniciarem uma greve da fome permanecendo no hemiciclo dia e noite.

Ao menos, já que não há pão, sempre teremos circo. 

16 de abril de 2013

Magnifica fotografia

... a chegada de Soares a Santa Apolónia e o 25 de Abril já foram há séculos !

22 de março de 2013

Jorge Bateira ou um dislate muito pouco democrático


O blogue «Ladrões de Bicicletas» publica com regularidade e maioritariamente textos com muito interesse e grande valor informativo e formativo, mas, pelos vistos, como têm 11 colaboradores, não pode naturalmente impedir que, de vez em quando, se torne abrigo para ideias de uma inenarrável estupidez e arrogância política, dignas de entrarem numa antologia do dislate atrevido.


É manifestamente o caso de um post de Jorge Bateira onde, a dado passo, se afirma o seguinte (para agora, o que interessa é a parte que  sublinho):

«(...) Para romper com este impasse, a oposição precisa de mobilizar os cidadãos para acções de protesto pacífico numa escala e numa duração inéditas face às quais, à semelhança do que aconteceu na Islândia e na Bulgária, a queda do governo se tornaria inevitável. Para que tal pudesse acontecer, tendo em conta o descrédito em que caíram, os partidos da oposição teriam de a) participar numa frente política abrangente, liderada por um colectivo de cidadãos sem vínculo partidário e (b) assumir que o desenvolvimento do país, baseado numa política económica visando o pleno emprego, não é possível sem que o país recupere a soberania monetária. Só com uma mudança radical no seu posicionamento estratégico, ilustrado por estas duas condições, seria porventura ainda possível encontrar, antes das legislativas de 2015, uma resposta política progressista para o “tempo fascista” que vivemos.(...)»

Eu podia perder tempo e gastar linhas a desmontar esta tese generalizadora sobre o «descrédito» em que «caíram os partidos da oposição» e, pelo menos, manifestar a minha convicção de que o meu partido - o PCP -  mantém um elevado crédito entre os seus eleitores e um crédito certamente superior ao que teria «um colectivo de cidadãos sem vínculo partidário»(quem seriam esses magos?)   quem se atribuiria a liderança de uma «frente política abrangente». Eu também poderia demonstrar como no fundo é caudilhista e antidemocrática esta peregrina ideia de subordinar os partidos da oposição a uma liderança de génios, santos e sábios sem vinculação partidária. E, por fim, poderia ainda dizer que, para quem fala embora com comas em "tempos fascistas", é bastante infeliz esta ideia de uma espécie de união nacional oposicionista ainda por cima liderada por uma camabada de Montis mesmo que fossem de esquerda.

Mas não, limito-me antes a contar o desabafo do meu pai a quem de vez em quando vou dando conta destas coisas. Disse-me ele no tom irritado que é costume: « Ai filho, quantas vezes já te disse para não me vires chatear com parvoíces para as quais já não tenho nem paciência nem idade. Mas, apesar disso, diz lá ao gajo que eu quando  andei a lutar tantos anos contra o fascismo e pela liberdade também foi para ter direito a ter um partido que fosse soberano nas suas orientações, decisões e acções.»