13 de junho de 2013

Palavra de Costa-Gravas e outros: Barroso é «um inimigo para a Europa»

Por cá, assolados que estamos todos os dias com novas agressões e ataques, ninguém parece estar a dar muita atenção à gravíssima questão dos acordos comerciais  e das negociações para um novo tratado de comércio livre entre a UE e os EUA, incluindo as ameaças do fim da chamada «excepção cultural». Por issso mesmo, convém ler aqui no «Huffington Post» o manifesto de Costa-Gravas e outros três realizadores de cinema.

10 de junho de 2013

Condecorações do 10 de Junho - duas coisas em que reparei

Eu sei de grandes universitários que nunca receberam nenhuma mas o  notável historiador Rui Ramos já tem uma:

O militar de Abril Carlos Beato e o jornalista João Paulo Diniz é claro que merecem a Ordem da Liberdade mas, como só dois cidadãos a receberam este ano, palpita-me que é porque todos os mais destacados combatentes pela liberdade  já a receberam e já escasseia o campo de escolhas...


7 de junho de 2013

CDS: quando chegar aos 5% talvez atire a toalha para o ringue

Última sondagem do «Expresso»:

Deste nada há a esperar porque já não pode ser reeleito mas...
... estes, se chegarem um bocadinho mais abaixo, talvez deitem contas à vida.

10 de maio de 2013

Vá lá, Jerónimo, faz a vontade à Raquel


A sempre muito rubra Raquel Varela manifesta aqui o seu deslumbramento com as posições radicais e «aguerridas» do ex-vereador do PSD na Câmara Municipal do Porto, Paulo Morais e põe-as em contraste com o que chama de « tom lamechas e de queixume que é o mote dos dirigentes políticos como Louçã e Jerónimo de Sousa».

Por uma vez, dou-lhe inteiramente razão. E, por isso, daqui apelo a Jerónimo de Sousa para que um dia destes faça o pino na primeira fila da bancada do PCP na AR, dispare uma pistola de água sobre Passos Coelho ou atire uma chave de fendas contra a madeira da bancada do governo, ou ainda que leve todos os deputados do PCP a iniciarem uma greve da fome permanecendo no hemiciclo dia e noite.

Ao menos, já que não há pão, sempre teremos circo. 

16 de abril de 2013

Magnifica fotografia

... a chegada de Soares a Santa Apolónia e o 25 de Abril já foram há séculos !

22 de março de 2013

Jorge Bateira ou um dislate muito pouco democrático


O blogue «Ladrões de Bicicletas» publica com regularidade e maioritariamente textos com muito interesse e grande valor informativo e formativo, mas, pelos vistos, como têm 11 colaboradores, não pode naturalmente impedir que, de vez em quando, se torne abrigo para ideias de uma inenarrável estupidez e arrogância política, dignas de entrarem numa antologia do dislate atrevido.


É manifestamente o caso de um post de Jorge Bateira onde, a dado passo, se afirma o seguinte (para agora, o que interessa é a parte que  sublinho):

«(...) Para romper com este impasse, a oposição precisa de mobilizar os cidadãos para acções de protesto pacífico numa escala e numa duração inéditas face às quais, à semelhança do que aconteceu na Islândia e na Bulgária, a queda do governo se tornaria inevitável. Para que tal pudesse acontecer, tendo em conta o descrédito em que caíram, os partidos da oposição teriam de a) participar numa frente política abrangente, liderada por um colectivo de cidadãos sem vínculo partidário e (b) assumir que o desenvolvimento do país, baseado numa política económica visando o pleno emprego, não é possível sem que o país recupere a soberania monetária. Só com uma mudança radical no seu posicionamento estratégico, ilustrado por estas duas condições, seria porventura ainda possível encontrar, antes das legislativas de 2015, uma resposta política progressista para o “tempo fascista” que vivemos.(...)»

Eu podia perder tempo e gastar linhas a desmontar esta tese generalizadora sobre o «descrédito» em que «caíram os partidos da oposição» e, pelo menos, manifestar a minha convicção de que o meu partido - o PCP -  mantém um elevado crédito entre os seus eleitores e um crédito certamente superior ao que teria «um colectivo de cidadãos sem vínculo partidário»(quem seriam esses magos?)   quem se atribuiria a liderança de uma «frente política abrangente». Eu também poderia demonstrar como no fundo é caudilhista e antidemocrática esta peregrina ideia de subordinar os partidos da oposição a uma liderança de génios, santos e sábios sem vinculação partidária. E, por fim, poderia ainda dizer que, para quem fala embora com comas em "tempos fascistas", é bastante infeliz esta ideia de uma espécie de união nacional oposicionista ainda por cima liderada por uma camabada de Montis mesmo que fossem de esquerda.

Mas não, limito-me antes a contar o desabafo do meu pai a quem de vez em quando vou dando conta destas coisas. Disse-me ele no tom irritado que é costume: « Ai filho, quantas vezes já te disse para não me vires chatear com parvoíces para as quais já não tenho nem paciência nem idade. Mas, apesar disso, diz lá ao gajo que eu quando  andei a lutar tantos anos contra o fascismo e pela liberdade também foi para ter direito a ter um partido que fosse soberano nas suas orientações, decisões e acções.»

19 de março de 2013

Guatemala, 30 anos depois ou a justiça que ainda não foi feita e as lágrimas que ainda não secaram





«(...) Los informes citados por organizaciones humanitarias estiman que durante el mandato de Ríos Montt, unos 10.000 guatemaltecos, en su mayoría indígenas, fueron víctimas de ejecuciones extrajudiciales y sus cuerpos sepultados en fosas comuneso dejados a merced de las aves de rapiña. La represión feroz obligó al campesinado a buscar refugio en campamentos mexicanos. Hubo más de 100.000 desplazados. El informe de la CEH documenta 448 aldeas literalmente borradas del mapa.(...)»


«Para el analista Gustavo Berganza, el contexto histórico es determinante en la deriva político-represiva de Efraín Ríos, quien sufrió la presión de la administración de Ronald Reagan para salvar a Centroamérica del comunismo internacional. (...)»

artigo na íntegra no El País aqui

25 de fevereiro de 2013

J.C. Espada não está sózinho mas é tão parvinho como outros


Na mesma senda de outros, João Carlos Espada perpetra no Público de hoje a seguinte pérola: «(...) é legítimo perguntar o que significa realmente o retorno da canção de Zeca Afonso no repertório político nacional. Coatumávamos cantá-la , antes do 25 de Abril de 1974, como forma de protesto contra um regime político ditatorial que não respeitava os direitos básicos dapessoa e do cidadão. Vivemos hoje em liberdade e demcoracia constitucional. Vem a propósito usar a canção da liberdade para atacar um governo eleito livremente e livremente sujeito à crítica e escrutínio públicos ?» ; «(...) Quando começa a confundir-se a crítica a um governo e a uma política com a resistência contra a ditadura, algo de fundamental está a ficar confuso».

Por mim, só digo que é notável a má-fe e a patetice desta tirada. O longínquo ex-director de «A Voz do Povo» (UDP) parece não saber que «Grandola Vila Morena», tendo sido uma canção de combate à ditadura fascista, até porque  foi a senha na madrugada libertadora do 25 de Abril de 1974 entrou no imaginário popular mais ampla e profundamente como um símbolo da revolução de Abril, das suas lutas, das suas conquistas e das suas esperanças. E é com essa configuração, ressonância e projecção essenciais que ela hoje é cantada contra o desgraçado governo e a infame política que temos.