10 de maio de 2013

Vá lá, Jerónimo, faz a vontade à Raquel


A sempre muito rubra Raquel Varela manifesta aqui o seu deslumbramento com as posições radicais e «aguerridas» do ex-vereador do PSD na Câmara Municipal do Porto, Paulo Morais e põe-as em contraste com o que chama de « tom lamechas e de queixume que é o mote dos dirigentes políticos como Louçã e Jerónimo de Sousa».

Por uma vez, dou-lhe inteiramente razão. E, por isso, daqui apelo a Jerónimo de Sousa para que um dia destes faça o pino na primeira fila da bancada do PCP na AR, dispare uma pistola de água sobre Passos Coelho ou atire uma chave de fendas contra a madeira da bancada do governo, ou ainda que leve todos os deputados do PCP a iniciarem uma greve da fome permanecendo no hemiciclo dia e noite.

Ao menos, já que não há pão, sempre teremos circo. 

16 de abril de 2013

Magnifica fotografia

... a chegada de Soares a Santa Apolónia e o 25 de Abril já foram há séculos !

22 de março de 2013

Jorge Bateira ou um dislate muito pouco democrático


O blogue «Ladrões de Bicicletas» publica com regularidade e maioritariamente textos com muito interesse e grande valor informativo e formativo, mas, pelos vistos, como têm 11 colaboradores, não pode naturalmente impedir que, de vez em quando, se torne abrigo para ideias de uma inenarrável estupidez e arrogância política, dignas de entrarem numa antologia do dislate atrevido.


É manifestamente o caso de um post de Jorge Bateira onde, a dado passo, se afirma o seguinte (para agora, o que interessa é a parte que  sublinho):

«(...) Para romper com este impasse, a oposição precisa de mobilizar os cidadãos para acções de protesto pacífico numa escala e numa duração inéditas face às quais, à semelhança do que aconteceu na Islândia e na Bulgária, a queda do governo se tornaria inevitável. Para que tal pudesse acontecer, tendo em conta o descrédito em que caíram, os partidos da oposição teriam de a) participar numa frente política abrangente, liderada por um colectivo de cidadãos sem vínculo partidário e (b) assumir que o desenvolvimento do país, baseado numa política económica visando o pleno emprego, não é possível sem que o país recupere a soberania monetária. Só com uma mudança radical no seu posicionamento estratégico, ilustrado por estas duas condições, seria porventura ainda possível encontrar, antes das legislativas de 2015, uma resposta política progressista para o “tempo fascista” que vivemos.(...)»

Eu podia perder tempo e gastar linhas a desmontar esta tese generalizadora sobre o «descrédito» em que «caíram os partidos da oposição» e, pelo menos, manifestar a minha convicção de que o meu partido - o PCP -  mantém um elevado crédito entre os seus eleitores e um crédito certamente superior ao que teria «um colectivo de cidadãos sem vínculo partidário»(quem seriam esses magos?)   quem se atribuiria a liderança de uma «frente política abrangente». Eu também poderia demonstrar como no fundo é caudilhista e antidemocrática esta peregrina ideia de subordinar os partidos da oposição a uma liderança de génios, santos e sábios sem vinculação partidária. E, por fim, poderia ainda dizer que, para quem fala embora com comas em "tempos fascistas", é bastante infeliz esta ideia de uma espécie de união nacional oposicionista ainda por cima liderada por uma camabada de Montis mesmo que fossem de esquerda.

Mas não, limito-me antes a contar o desabafo do meu pai a quem de vez em quando vou dando conta destas coisas. Disse-me ele no tom irritado que é costume: « Ai filho, quantas vezes já te disse para não me vires chatear com parvoíces para as quais já não tenho nem paciência nem idade. Mas, apesar disso, diz lá ao gajo que eu quando  andei a lutar tantos anos contra o fascismo e pela liberdade também foi para ter direito a ter um partido que fosse soberano nas suas orientações, decisões e acções.»

19 de março de 2013

Guatemala, 30 anos depois ou a justiça que ainda não foi feita e as lágrimas que ainda não secaram





«(...) Los informes citados por organizaciones humanitarias estiman que durante el mandato de Ríos Montt, unos 10.000 guatemaltecos, en su mayoría indígenas, fueron víctimas de ejecuciones extrajudiciales y sus cuerpos sepultados en fosas comuneso dejados a merced de las aves de rapiña. La represión feroz obligó al campesinado a buscar refugio en campamentos mexicanos. Hubo más de 100.000 desplazados. El informe de la CEH documenta 448 aldeas literalmente borradas del mapa.(...)»


«Para el analista Gustavo Berganza, el contexto histórico es determinante en la deriva político-represiva de Efraín Ríos, quien sufrió la presión de la administración de Ronald Reagan para salvar a Centroamérica del comunismo internacional. (...)»

artigo na íntegra no El País aqui

25 de fevereiro de 2013

J.C. Espada não está sózinho mas é tão parvinho como outros


Na mesma senda de outros, João Carlos Espada perpetra no Público de hoje a seguinte pérola: «(...) é legítimo perguntar o que significa realmente o retorno da canção de Zeca Afonso no repertório político nacional. Coatumávamos cantá-la , antes do 25 de Abril de 1974, como forma de protesto contra um regime político ditatorial que não respeitava os direitos básicos dapessoa e do cidadão. Vivemos hoje em liberdade e demcoracia constitucional. Vem a propósito usar a canção da liberdade para atacar um governo eleito livremente e livremente sujeito à crítica e escrutínio públicos ?» ; «(...) Quando começa a confundir-se a crítica a um governo e a uma política com a resistência contra a ditadura, algo de fundamental está a ficar confuso».

Por mim, só digo que é notável a má-fe e a patetice desta tirada. O longínquo ex-director de «A Voz do Povo» (UDP) parece não saber que «Grandola Vila Morena», tendo sido uma canção de combate à ditadura fascista, até porque  foi a senha na madrugada libertadora do 25 de Abril de 1974 entrou no imaginário popular mais ampla e profundamente como um símbolo da revolução de Abril, das suas lutas, das suas conquistas e das suas esperanças. E é com essa configuração, ressonância e projecção essenciais que ela hoje é cantada contra o desgraçado governo e a infame política que temos.


16 de fevereiro de 2013

Senhor Bebiano: demonstre lá que o cartaz é mesmo da CGTP



No seu blogue «a terceira noite», Rui Bebiano derrama-se em vastíssimas linhas a esgrimir contra este cartaz que atribui à CGTP embirrando com a referência à «luta organizada» e com variados aspectos estéticos do cartaz a que atribui perversos significados que nem vou discutir.

Por uma simples razão : é que nunca vi nem vejo este cartaz na página da CGTP (o cartaz autêntico (em baixo) foi largamente divulgado em blogues) e cheira-me que se trata apenas de daqueles muitos «produtos» gráficos que hoje em dia qualquer cidadão concebe e põe a circular na Net.

Nestes termos, aguardo ansiosamente que Rui Bebiano preste o serviço público de provar que este cartaz é da autoria e responsabilidade da CGTP. Se não provar e tiver um cisco de honestidade intelectual, então devia dizer aos seus leitores que esteve a escrever contra um alvo errado.


9 de fevereiro de 2013

Parabéns claro mas quem era o director do "Avante!" em 1997 ?



Editorial do Avante! de 30.4.1997

(clicar nas imagens para aumentar)
 Editorial do Avante! de 22.5.1997
Em 1997, o primeiro-ministro do PS era Guterres, não ainda sequer Sócrates, e ainda não havia os 3 PEC's, nem agravamento do Código Laboral de Bagão Félix, nem Memorandos com a troika and so on.

mais editoriais fortemente
 críticos do PS em 1998 aqui

13 de janeiro de 2013

Palmela: os sofismas de Paulo Baldaia e uma declaração contra a corrente


No DN de hoje, Paulo Baldaia escreve esta prosa  e sobre ela não tenciono fazer muitos comentários, convidando sobretudo os leitores a verificarem as contradições entre as várias partes sublinhadas. Como é do dominio público, o PCP já considerou como «pessoal» a decisão da, excelente digo eu, Presidente da Câmarade Palmela e lembrou que votou contra o regime legal que permite este tipo de reformas. Apesar disso Baldaia sentencia que «o PCP é contra mas deixa andar» não se dando porém ao trabalho de explicar o que poderia fazer o PCP para «não deixar andar». Por outro lado, Baldaia também não nos explica que conclusões retira da sua afirmação de que «não pode haver leis que se aplicam a uns e não a outros».
Por fim, fico à espera que Paulo Baldaia nos mostre o artigo que escreveu quando saiu a notícia abaixo sobre esta estimável senhora que, que me lembre, não atenuou em nada o deslumbramento quase geral com a sua eleição para Presidente da AR nem parece afectar em nada o seu quotidiano exercício dessas funções de 2ª figura do Estado.

Declaração
contra a corrente:

Sim, aqui declaro que o meu amor
pelo serviço público não me levaria
a interromper a minha carreira profissional
para ser Presidente de Câmara
em 3 mandatos e depois, aos 47 ou 55 anos,
me encontrar  na situação de não
 conseguir reconstituir essa carreira
ou mesmo arranjar emprego.

9 de janeiro de 2013

Miguel Gomes na "The New Yorker": isto não vale nada ?


Sim, quando nuvens e ameaças tão sombrias pairam sobre o cinema português, saiba-se que na The New Yorker o "DVD da semana" é dedicado a este filme de Miguel Gomes. Ver aqui.

9 de dezembro de 2012

O pequeno esquecimento dos marinheiros do «31 da Armada»



Existe desde há bastante tempo e continua a circular um vídeo produzido pela rapaziada direitosa do «31 da Armada» ponto em cruel confronto declarações de dirigentes do PS com o que realmente consta do memorando com a troika que o PS assinou em Maio de 2011.

O vídeo porém não inclui a referência que, para cobrir o «esquecimento», resolvi apôr-lhe sobre uma mancha a vermelho. É que assim a história fica mais bem contada.