1 de março de 2013
A grandolar, a grandolar, hasta enterrar-los en el mar
25 de fevereiro de 2013
J.C. Espada não está sózinho mas é tão parvinho como outros
Na mesma senda de outros, João Carlos Espada perpetra no Público de hoje a seguinte pérola: «(...) é legítimo perguntar o que significa realmente o retorno da canção de Zeca Afonso no repertório político nacional. Coatumávamos cantá-la , antes do 25 de Abril de 1974, como forma de protesto contra um regime político ditatorial que não respeitava os direitos básicos dapessoa e do cidadão. Vivemos hoje em liberdade e demcoracia constitucional. Vem a propósito usar a canção da liberdade para atacar um governo eleito livremente e livremente sujeito à crítica e escrutínio públicos ?» ; «(...) Quando começa a confundir-se a crítica a um governo e a uma política com a resistência contra a ditadura, algo de fundamental está a ficar confuso».
Por mim, só digo que é notável a má-fe e a patetice desta tirada. O longínquo ex-director de «A Voz do Povo» (UDP) parece não saber que «Grandola Vila Morena», tendo sido uma canção de combate à ditadura fascista, até porque foi a senha na madrugada libertadora do 25 de Abril de 1974 entrou no imaginário popular mais ampla e profundamente como um símbolo da revolução de Abril, das suas lutas, das suas conquistas e das suas esperanças. E é com essa configuração, ressonância e projecção essenciais que ela hoje é cantada contra o desgraçado governo e a infame política que temos.
24 de fevereiro de 2013
Será que vêm aí os sinuosos caminhos da exasperação social ?
16 de fevereiro de 2013
Senhor Bebiano: demonstre lá que o cartaz é mesmo da CGTP
No seu blogue «a terceira noite», Rui Bebiano derrama-se em vastíssimas linhas a esgrimir contra este cartaz que atribui à CGTP embirrando com a referência à «luta organizada» e com variados aspectos estéticos do cartaz a que atribui perversos significados que nem vou discutir.
Por uma simples razão : é que nunca vi nem vejo este cartaz na página da CGTP (o cartaz autêntico (em baixo) foi largamente divulgado em blogues) e cheira-me que se trata apenas de daqueles muitos «produtos» gráficos que hoje em dia qualquer cidadão concebe e põe a circular na Net.
Nestes termos, aguardo ansiosamente que Rui Bebiano preste o serviço público de provar que este cartaz é da autoria e responsabilidade da CGTP. Se não provar e tiver um cisco de honestidade intelectual, então devia dizer aos seus leitores que esteve a escrever contra um alvo errado.
9 de fevereiro de 2013
Parabéns claro mas quem era o director do "Avante!" em 1997 ?
Editorial do Avante! de 30.4.1997
Editorial do Avante! de 22.5.1997
Em 1997, o primeiro-ministro do PS era Guterres, não ainda sequer Sócrates, e ainda não havia os 3 PEC's, nem agravamento do Código Laboral de Bagão Félix, nem Memorandos com a troika and so on.
mais editoriais fortemente
críticos do PS em 1998 aqui
críticos do PS em 1998 aqui
13 de janeiro de 2013
Palmela: os sofismas de Paulo Baldaia e uma declaração contra a corrente
No DN de hoje, Paulo Baldaia escreve esta prosa e sobre ela não tenciono fazer muitos comentários, convidando sobretudo os leitores a verificarem as contradições entre as várias partes sublinhadas. Como é do dominio público, o PCP já considerou como «pessoal» a decisão da, excelente digo eu, Presidente da Câmarade Palmela e lembrou que votou contra o regime legal que permite este tipo de reformas. Apesar disso Baldaia sentencia que «o PCP é contra mas deixa andar» não se dando porém ao trabalho de explicar o que poderia fazer o PCP para «não deixar andar». Por outro lado, Baldaia também não nos explica que conclusões retira da sua afirmação de que «não pode haver leis que se aplicam a uns e não a outros».
Por fim, fico à espera que Paulo Baldaia nos mostre o artigo que escreveu quando saiu a notícia abaixo sobre esta estimável senhora que, que me lembre, não atenuou em nada o deslumbramento quase geral com a sua eleição para Presidente da AR nem parece afectar em nada o seu quotidiano exercício dessas funções de 2ª figura do Estado.
Declaração
contra a corrente:
Sim, aqui declaro que o meu amor
contra a corrente:
Sim, aqui declaro que o meu amor
pelo serviço público não me levaria
a interromper a minha carreira profissional
para ser Presidente de Câmara
em 3 mandatos e depois, aos 47 ou 55 anos,
me encontrar na situação de não
conseguir reconstituir essa carreira
ou mesmo arranjar emprego.
a interromper a minha carreira profissional
para ser Presidente de Câmara
em 3 mandatos e depois, aos 47 ou 55 anos,
me encontrar na situação de não
conseguir reconstituir essa carreira
ou mesmo arranjar emprego.
9 de janeiro de 2013
Miguel Gomes na "The New Yorker": isto não vale nada ?
Sim, quando nuvens e ameaças tão sombrias pairam sobre o cinema português, saiba-se que na The New Yorker o "DVD da semana" é dedicado a este filme de Miguel Gomes. Ver aqui.
9 de dezembro de 2012
O pequeno esquecimento dos marinheiros do «31 da Armada»
Existe desde há bastante tempo e continua a circular um vídeo produzido pela rapaziada direitosa do «31 da Armada» ponto em cruel confronto declarações de dirigentes do PS com o que realmente consta do memorando com a troika que o PS assinou em Maio de 2011.
O vídeo porém não inclui a referência que, para cobrir o «esquecimento», resolvi apôr-lhe sobre uma mancha a vermelho. É que assim a história fica mais bem contada.
23 de novembro de 2012
17 de novembro de 2012
Os títulos e as letras pequenas
Para além do mais que se poderia dizer, registe-se que, quem passar nas bancas, só vai ler o titulo onde o Expresso não quis acrescentar mais aquelas quatro palavras.
10 de novembro de 2012
Fernando Rosas: também a sua coisinha infeliz
Hoje, na Convenção do Bloco, respondendo com vivacidade às acusações de Daniel Oliveira sobre a «sucessão dinástica» que estaria em curso naquele partido, Fernando Rosas declarou que só havia uma sucessão de que se reclamavam : a de «sermos os sucessores e os herdeiros da resistência antifascista e da luta dos trabalhadores».
Tratou-se evidentemente de um lapso em discurso oral. Como é bom de ver, aqueles dois artigos definidos - «os» - estão a mais.
Uma coisinha infeliz na "despedida" de Louçã
Em declarações ao Público de hoje, no contexto de referências às relações com o governo de Guterres, Francisco Louçã afirma, a dado passo, que «com Guterres conseguimos atacar a violência doméstica, fizemos uma coisa extraordinária que foi a despenalização dos toxicodependentes».
Não é a primeira vez que, nesta matéria (e também noutras), Francisco Louçã empola o protagonismo do BE, em regra silenciando o do PCP.
Ora, sobre este tema, já há mais de dois anos, o deputado do PCP, António Filipe, pôs aqui os pontos nos is nos seguintes termos:
Despenalização
do consumo de drogas: O seu a seu dono
Por iniciativa
do Jornal Público, vários dirigentes políticos foram convidados a responder a
perguntas dos leitores formuladas através da internet. Na edição de 23 de
Setembro, o Público deu conta de algumas das respostas dadas. A uma pergunta
sobre a despenalização das drogas, Francisco Louçã afirmou que “graças ao BE, já
se conseguiu o fim da criminalização do consumo”. Não é
exacto.
Em rigor, o
processo legislativo que deu origem à despenalização do consumo de drogas
processou-se do modo seguinte:
Em 25 de
Fevereiro de 2000, o Bloco de Esquerda apresentou o Projecto de Lei n.º 113/VIII
sobre a separação de mercados de estupefacientes e combate à toxicodependência,
visando operar uma separação de mercados entre as chamadas drogas “leves” e as
chamadas drogas “duras”, legalizando as primeiras e enquadrando no sistema
público de saúde a distribuição de substâncias como a heroína ou a cocaína aos
cidadãos que delas necessitassem para suprir o estado de abstinência, sob
acompanhamento médico e mantendo o controlo estatal do comércio, importação e
distribuição dessas substâncias.[1]
Em 2 de Março
de 2000, o PCP apresentou duas iniciativas legislativas sobre o regime legal das
drogas. O Projecto de Lei n.º 120/VIII, de despenalização do consumo de drogas e
o Projecto de Lei n.º 119/VIII estabelecendo o regime de mera ordenação social
aplicável ao consumo de drogas. Segundo estes projectos, o mero consume de
drogas deixaria de ser crime, passando a ser-lhe aplicável um regime de
dissuasão que excluía a aplicação de sanções penais.[2]
Em 11 de Maio
de 2000, alguns Deputados pertencentes à JSD apresentaram o Projecto de Lei n.º
210/VIII sobre “drogas e combate às toxicodependências”, no qual defendiam a
despenalização do consumo das chamadas “drogas leves” e a administração
terapêutica, mediante prescrição médica, de outras drogas de que o doente,
encontrando-se numa situação grave de dependência, organicamente necessitasse.[3]
Finalmente, em
1 de Junho de 2000, o Governo PS apresentou a Proposta de Lei n.º 31/VIII que
definia o regime jurídico aplicável ao consumo de estupefacientes e substâncias
psicotrópicas bem como a protecção sanitária e social das pessoas que consomem
tais substâncias sem prescrição médica, regime que passava basicamente pela
descriminalização do consumo de drogas, que passava a ser considerado como um
ilícito de mera ordenação social.[4]
O debate na
generalidade sobre estas iniciativas foi de facto desencadeado pelo BE, que usou
o seu direito à marcação da ordem do dia para o debate do seu projecto de lei,
permitindo que todos os outros projectos apresentados fossem agendados por
arrastamento. O debate foi marcado para 21 de Junho de
2000.
Os projectos
de lei baixaram à Comissão sem terem sido votados na generalidade, para uma nova
apreciação, da qual resultou um texto de substituição que reuniu apoio
maioritário. No dia 6 de Julho realizaram-se as votações. Na generalidade, os projectos de lei do BE
e da JSD foram rejeitados, tendo sido aprovados os projectos do Governo e do
PCP, com a abstenção do BE.[5]
O texto de substituição aprovado na Comissão, teve os votos favoráveis do PS, do
PCP, do BE e do PEV e os votos contra do PSD e do CDS-PP.
Estes foram os
factos. O BE teve o mérito, que não lhe retiro, de ter desencadeado o debate que
deu origem à descriminalização do consumo de drogas e votou a favor do texto
final aprovado. Porém, a lei que foi aprovada e que descriminalizou o consumo de
drogas, com as positivas consequências que hoje são reconhecidas, não resultou
do projecto do BE, que foi rejeitado, mas da fusão entre os textos então
propostos pelo PCP e pelo Governo que, esses sim, foram
aprovados.
A
descriminalização do consumo de drogas foi apoiada pelo BE, em votação final,
mas não aconteceu “graças ao BE”, como foi afirmado. Aconteceu, graças à
convergência entre o PS e o PCP. O seu a seu dono.
[1] Publicado no Diário da Assembleia
da República, II Série-A, n.º 23, de 3 de Março de 2000, pp.
479-488.
[2] Publicado no Diário da Assembleia
da República, II Série-A, n.º 24, de 15 de Março de 2000, pp.
521-524.
[3] Publicado no Diário da Assembleia
da República, II Série-A, n.º 41, de 18 de Maio de 2000, pp.
1506-1508.
[4] Publicado no Diário da Assembleia da República, II
Série-A, n.º 47, de 8 de Junho de 2000, pp.
1594-1599.
[5] O projecto do BE teve os votos a
favor do BE, do PEV e de 14 Deputados do PS; teve os votos contra do PSD, do
CDS-PP e de 3 Deputados do PS; teve as abstenções do PS, do PCP e de 6 Deputados
do PSD. O projecto dos Deputados da JSD teve apenas 14 votos favoráveis de
Deputados do PSD, as abstenções do BE e de 16 Deputados do PS, e os votos
contrários dos restantes. A proposta do Governo e os projectos do PCP tiveram os
votos favoráveis do PS, do PCP e do PEV, os votos contra do PSD e do CDS-PP e as
abstenções do BE.
publicado em quinta-feira, 23 de Setembro de 2010 23:14
6 de novembro de 2012
Serviço público eleições USA: conto-lhe o que ninguém mais lhe contará !
Sim, conto-lhe que, nas presidenciais de hoje, não há 2 candidatos mas 16, o que é obra para 14 dado o número de assinaturas de eleitos que é necessário para se ser candidato presidencial nos EUA. Aqui ficam os nomes e os rostos de cinco, podendo os outros nove serem vistos aqui.
31 de outubro de 2012
Fernando Ulrich ou o vómito em pessoa
No Público online:
Fernando Ulrich: “O país aguenta mais austeridade?... Ai aguenta, aguenta”
«(...) O presidente executivo do BPI deu assim exemplos da situação da Grécia, em que o
desemprego “já está em 23,8%” e chegará aos 25,4% no próximo ano. Apesar disso,
“os gregos estão vivos, protestam com um bocadinho de mais veemência do que nós,
partem umas montras, mas eles estão lá, estão vivos”.»
Pois é, senhor banqueiro Fernando Ulrich: tirando os que se suicidam, os gregos estão vivos e também na Idade Média ou nos campos de concentração nazi os que não estavam mortos estavam vivos.
E mais não digo porque destas palavras e maneiras de dizer vem um fedor com décadas verdadeiramente insuportável.
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