8 de janeiro de 2011

Um recente parecer diz-nos que afinal há indústria em Portugal: a indústria dos pareceres !

Manchete do Diário de Notícias
de hoje.
Agora aceitam-se
adivinhas e palpites sobre
que cruzamento
de interesses
e favores leva a
que isto aconteça desta forma
tão desavergonhada e chocante
.

6 de janeiro de 2011

A não perder a última do grande “libertário” Miguel Serras Pereira.

No «vias de facto», o conhecido tetraneto de Bakunine e grande “libertário” Miguel Serras Pereira, por cima das fotos dos actuais candidatos à Presidência da República, acaba de publicar este crucial e dramático desabafo: «A votar em gajos assim, é que não me apanham a mim».

É claro, prezados leitores, que não está em causa o sagrado direito de cada cidadão fazer o que quiser c om o seu voto. Mas também existe o direito de cada um de nós reparar no significado que esta atitude de Miguel Serras Pereira encerra sobretudo tratando-se uma pessoa que escreve que se desunha para demonstrar que não se está nas tintas para o curso da vida nacional.

Também é claro que eu calculo que esta declaração de abstenção não encaixe mal em alguém que certamente acha dispensável haver um Presidente da República e que pensa que tudo se resolveria com umas assembleias de condóminos, perdão, de moradores de bairro em sistema de «autogoverno».

Mas nem mesmo uma pessoa assim devia ser insensível ao facto de que a sua abstenção, ou melhor dizendo o facto de não se dispor a votar nem em Francisco Lopes, nem em Manuel Alegre, nem em Defensor Moura nem no castiço da Madeira significa menos 0,00001% em qualquer destes candidatos e logo mais 0,00001% em Cavaco Silva.

Ainda por cima, ao escrever um «post» apenas com aquele título e com as fotos dos candidatos, até parece que o “libertário” queria antes outras carinhas.

E aí, feminista convicto que sou, eu já o podia compreender. Se, consoante gostos e encantos, Miguel Serras Pereira nos viesse dizer que queria antes uma lista de candidatas composta pela Leonor Beleza (do PSD), pela Teresa Caeiro (do CDS), pela Rita Rato (do PCP), pela Joana Amaral Dias (do BE) e pela Marta Rebelo (do PS) eu até lhe perdoaria.

Mas assim não e, no futuro, quando ler um «post» cheio de ideologia e filosofia do Miguel Serras Pereira, vou sempre lembrar-me deste «A votar em gajos assim, é que não me apanham a mim».

22 de dezembro de 2010

Ó Bava, e que tal se fosses dar uma voltinha à Praça de Cibeles ?


No Diário de Notícias de hoje, mais exactamente aqui, pode ler-se o seguinte :  «O presidente da PT afirmou hoje que os dividendos a distribuir este ano pelos accionistas resultam de uma "operação extraordinária" que foi a venda da Vivo, não representando uma distribuição de lucros normal."É um dividendo extraordinário, nós tivemos uma operação extraordinária. Não estamos a distribuir dividendos ordinários", disse o presidente executivo da PT, Zeinal Bava, em declarações aos jornalistas à margem de uma cerimónia sobre solidariedade social.»

Eu juro que não tenho nada nem contra a Espanha nem contra os espanhóis (até já aqui vos falei da minha namorada Carmen, essa deslumbrante catalã do meu coração) mas francamente o Zeinal Bava bem podia ir dar uma voltinha à Praça de Cibeles em vez de nos contar histórias da carochinha.

Na verdade, não está na cara que o negócio da Vivo faz parte das actividades e negócios da PT em 2010 e, assim sendo, tem de entrar forçosamente no Relatório e Contas desta empresa que há-de vir a ter a data de 31 de Dezembro de 2010 ?

E já agora, por mais «extraordinária» que tenha sido a «operação» e mais «extraordinários» que tenham sido os dividendos relativos à venda da Vivo, acaso haveria lugar à sua distribuição se o resto da PT apresentasse em 2010 calamitosos resultados financeiros ou estivesse por absurdo à beira da falência ?.

Pelos vistos, Zeinal Bava não sabe o que é a «especialização de exercícios». Mas, suprema ironia e símbolo das coisas kafkianas que acontecem com a Entidade de Fiscalização das Contas dos Partidos, já o PCP é chateado por esta entidade por não ter incluido nas contas de 2007, que já estavam entregues, o valor de quotas dos militantes recebidas com natural atraso em anos posteriores, sem que essa entidade ou o Tribunal Constitucional se dêem ao luxo de explicar caridosamente como se deveria então ter feito.

20 de dezembro de 2010

O "Maradona" caseiro também mete golos com a mão



Pois é, essa petite coqueluche da blogosfera nacional que, modestamente, adoptou o pseudónimo de "Maradona" (e que tão ternos mimos recebe da Fernanda Câncio, ai que inveja), em digressão a própósito da atribuição de mais um prémio a Álvaro Siza Vieira, acaba de também ele meter  um golo com a mão.

Repare-se então neste pedaço da sua prosa: «gostei que ele tivesse aceite aceitar o interesseiro prémio, ainda para mais com a presença do Presidente da República o Professor Doutor Anibal António Cavaco Silva (em quem votarei) e da cabra da sua mulher, que (estes sim) teriam feito muito melhor em não se associar a estas hecatombes masturbatórias que eles, aliás, no íntimo desprezam e não compreendem; os comunistas, com o Álvaro Cunhal à cabeça, têm a estúpida mania de recusar ostensivamente as honrarias da sociedade burguesa, como se a aceitação de uma homenagem os corrompesse mais que a sua rendição à conjuntura que lhes permitiu desenvolver a sua arte. Até nisso o Siza Vieira me parece uma pessoa melhor que as outras, com certeza muito melhor que os outros comunistas, pessoas que, regra geral, são más.»

Indo directo aos quesitos, pura e simplesmente, Maradona efabulou quando resolveu sentenciar ou decretar a existência daquela estúpida mania dos comunistas. É verdade que, salve erro, Álvaro Cunhal indiciou declinar qualquer condecoração mas também é verdade é que nunca foi proposto para qualquer uma. E, depois, acresce, que a teoria da «mania» como querendo significar um comportamento geral não tem o mais pequeno fundamento, pois para já não falar de prémios literários mesmo em relação a condecorações no 25 de Abril ou no 10 de Junho não faltam militantes do PCP ou personalidades da área do PCP que as aceitaram.

Dir-se-á que no imensíssimo conjunto de condecorados são muito poucos os comunistas que recebem galardões (no caso da Ordem da Liberdade, a discriminação é clamorosa) mas essa já é outra história que tem origem em quem atribui e não em quem recebe.

E, pronto, quanto a aceitar prémios ou condecorações, sempre achei pode haver sempre boas razões para uma coisa ou outra, que ninguém deve julgar os outros e  que cada um é que deve decidir de acordo com a sua reflexão individual.

Golo com a mão, portanto, este do Maradona da causa modificada ou estragada, já não sei bem. Só que aqui não foi a «mão de Deus», quando muito terá sido a «mão da ligeireza».