6 de dezembro de 2010

Vem aí a 9ª ? Porra, ainda se fosse a bela Sinfonia de Beethoven !!!

Eu compreendo perfeitamente que nenhum  partido se possa opôr, moderada ou frontalmente,à constituição de uma nova  comissão paralamentar de inquérito a Camarate. Na verdade, apesar de tratar do  9º (nono!) episódio de um cansativo, maçador, absurdo e insuportável  folhetim, talvez ainda haja o risco de funcionar a acusação de que quem  não quiser uma nova comissão de inquérito é porque não quer apurar  «a verdade».

Mas como um cidadão comum  felizmente não está sujeito aos condicionalismos que pesam sobre os partidos, eu por mim quero declarar  para a acta da blogosfera que estou farto até mais não de tanta hipocrísia, de tanto fingimento e de tanta instrumentalização política rasteira.

Desde logo porque estas comissões de inquérito a Camarate sempre representaram 
a  grave excepcionalidade de se debruçarem sobre matéria  exclusivamente do foro criminal e     que, mal ou bem,   teve o seu curso e desfecho na    justiça,representando aquilo que em termos de inquéritos parlamentares mais se aproximou de uma espécie de justiça paralela, sem entretanto  ter de obedecer às respectivas regras processuais.

E, depois, porque se há coisa que dá voltas ao estomâgo de um cidadão dotado de um mínimo de bom senso e rectidão de espírito é assistir, durante décadas, ao mais   longo       voo       de abutres políticos por cima do cadáver de uma personalidade política.                                                                                                                                                                

Quase no fim, aproveito para esclarecer que, de acordo com a pesquisa que fiz, não é verdade  aquilo que agora quase todos os dias se repete de que  as conclusões da 8ª    Comissão  foram unânimes, pois o PCP nunca votou favoávelmente o ponto respeitante à conclusão sobre a existência de um atentado.
Não, não sei nem faço ideia se Camarate foi acidente ou atentado.

Mas sei que tudo isto é triste e que tudo isto é fado.


4 de dezembro de 2010

Há 30 anos, Sá Carneiro morria. Sim, paz à sua alma. Sim, respeito pela dor dos seus familiares e de todos os que apoiavam a sua acção política. Mas recorde-se a sua última (e desesperada ?) jogada política.



Tempo de antena da candidatura do General Soares Carneiro que não chegou a ser transmitido mas cujo conteúdo mais desenvolvido tinha sido transmitido em 4 de Dezembro nos telejornais pois esta comunicação era uma síntese da conferência de imprensa dada em Lisboa por Sá Carneiro nesse dia.
E apenas mais isto: passam hoje, 4 de Dezembro, 30 anos sobre o acidente de Camarate mas, se não me engano nas contas, passam também exactamente trinta anos sobre o sábado - dia de reflexão - em que se realizou com uma longa cobertura em directo pela RTP o funeral de Sá Carneiro, precisamente na véspera da votação presidencial de 7 de Dezembro.

Eu tinha então apenas 16 anos e, vejamos agora o outro lado da história, do que nunca me esquecerei sobre aquele sábado foi da angústia, do nervosismo e do olhar dorido pela incerteza do meu pai, votante de Ramalho Eanes após Carlos Brito, candidato do PCP, ter desistido a seu favor.

Pois é, a cada um as suas memórias.

2 de dezembro de 2010

Sim, agora eu também quero e vocês também devem querer o que a PT e JM quiseram e os deputados do PS, PSD e CDS hoje lhes deram na Assembleia da República

Está consumado aquilo que boas e caridosas almas ainda tinham esperança que um cisco de vergonha na cara impedisse: os deputados do PS, do PSD e do CDS chumbaram o projecto de lei do PCP para desmanchar e frustar a habilidade da PT e de outros grupos em anteciparem a distribuição dos dividendos de 2010 já para este ano, como forma de se furtarem às disposições fiscais contidas no Orçamento para 2011.

De caminho, devo dizer que ouvi na rádio,  um dos deputados do PS que se absteve ou apresentou declaração de voto (mas não fixei qual)a declarar que estava de acordo com a intenção do projecto de lei do PCP embora este fosse «atabalhoado». A este respeito, só quero deixar uma inocente pergunta: « e porque razão o senhor deputado do PS que disse isto não se tirou das suas tamanquinhas e não congeminou e apresentou ele um projecto que não fosse «atabalhoado» ?

Mas não é isso que me traz aqui hoje. O que eu venho dizer é que acho que eu e todos os trabalhadores por conta de outrém que pagamos IRS também temos direito a um tratamento similar ao que a PT, a Jerónimo Martins e  outras empresas acabaram por conseguir.

Na verdade, se estas empresas, ainda antes de apresentarem, os clássicos Relatórios e Contas referentes ao ano de actividade precedente que termina em 31 de Dezembro de 2010 já conseguem saber que dividendos vão distribuir, então todos nós também conseguimos calcular o que ainda vamos receber até 31 de Dezembro de rendimentos de trabalho e outros elementos da habitual declaração fiscal.

E, como conseguimos, também deviamos ter todo o direito de poder apresentar já até ao final do ano as nossas declarações fiscais às quais, como a PT e outras empresas fizeram com os dividendos, se aplicariam as taxas fiscais em vigor em 2010 e não as  mais gravosas previstas no Orçamento para 2011.

Há para aí alguma pena inspirada que redija uma petição neste sentido ?

1 de dezembro de 2010

WikiLeaks ou como eu me lembrei dos irmãos Lumiére ou ainda como eu e Carmen fomos vingados pelo Julian Assange



Podem chamar-me calhandreiro ou declarar-me um irresponsável que não preza os superiores designios da segurança internacional (que, como é sabido, se confunde com  a segurança dos EUA), mas este caso da divulgação pela WikiLeaks de telegramas diplomáticos emitidos pelas embaixadas dos EUA no mundo, deu-me duas grandes satisfações.
A primeira deriva desde logo dessa coisa sensacional que é ver os maiores espiões do mundo a não gostarem de serem espiados o que, de imediato, me deu a vontade acima concretizada, de homenagear os irmãos Lumiére e o seu «L'arroseur arrosé».
A segunda é que, ao contrário da generalidade da imprensa, me lembrei de uma coisa chamada ECHELON que a Wikipédia descreve assim, para quem não se lembrar:

«Echelon est un nom de code utilisé pendant de nombreuses années par les services de renseignements des États-Unis pour désigner une base d'interception des satellites commerciaux. Par extension, le Réseau Echelon désigne le système mondial d'interception des communications privées et publiques (SIGINT), élaboré par les États-Unis, le Royaume-Uni, le Canada, l’Australie et la Nouvelle-Zélande dans le cadre du traité UKUSA.
Le réseau Echelon est géré conjointement par les services de renseignements des États membres du UKUSA :
  • la NSA (National Security Agency) pour les États-Unis qui en est le principal contributeur et utilisateur ;
  • le GCHQ (Government Communications Headquarters) pour le Royaume-Uni ;
  • le CST (Centre de sécurité des télécommunications) pour le Canada ;
  • la DSD (Defence Signals Directorate) pour l'Australie ;
  • le GCSB (Government Communications Security Bureau) pour la Nouvelle-Zélande.
C’est un réseau global, appuyé par des satellites artificiels, de vastes bases d’écoutes situées aux États-Unis, au Canada (à Leitrim), au Royaume-Uni (à Morwenstow), en Australie (à Pine Gap) et en Nouvelle-Zélande (à Waihopai), des petites stations d'interception dans les ambassades, et le sous-marin de classe Seawolf USS Jimmy Carter, entré en service en 2005 pour écouter les câbles sous-marins de télécommunications.
Il intercepte les télécopies, les communications téléphoniques, les courriels et, grâce à un puissant réseau d’ordinateurs, est capable de trier en fonction de certains termes les communications écrites et, à partir de l’intonation de la voix, les communications orales.»
Estação de intercepção do Echelon no Reino Unido

Ora acontece que eu e a minha namorada Carmen, uma espanhola inesquecível, nos sentimos hoje muito bem vingados graças ao senhor Julian Assange e à WikiLeaks.



É que, por causa do Echelon, em sms, telefonemas e mails, entre outras coisas de duvidoso gosto, ela tinha deixado de me chamar «meu binladenzinho querido», eu tinha deixado de lhe chamar «minha bomba gostosa» e ambos tinhamos deixado de mencionar as  saudades das nossas «explosões».

Ela está em Barcelona mas já combinámos uma grande festança sem a Dona Constança para celebrar,  em Madrid (a meio caminho, percebem), esta nossa saborosa vingança.

29 de novembro de 2010

Uma pequena e graciosa ajuda ao "Público" que está tão inquieto com a isenção da Wikileaks

Obrigado, como toda a imprensa mundial, a dar grande destaque às mais recentes revelações da Wikileaks, o «Público», em editorial, faz um esforço para compôr ou ajeitar o ramalhete. Com uma perspicácia digna de nota, aquele texto levanta a magna questão de que «a assimetria por detrás destas fugas não pode ser ignorada. Ficámos a conhecer os segredos dos EUA, mas será a Wikileaks capaz de nos revelar os segredos do Irão, da China ou de qualquer outro país ?». E como se isto já não bastasse conclui ainda :« Estará Julian Assange interessado em furar os segredos diplomáticos de Teerão, Pequim ou Berlim, ou será Washington o único alvo do australiano ? Neste caso, a transparência está a ser filtrada por uma intenção».





Perante esta prosa e estas preocupações do editorial do «Público», o que mais dá vontade é de perguntar se, por sistema, em matéria de divulgação de broncas, esquemas ou escândalos, o «Público» sempre faz esta exigência de diversificação de alvos. Por mim, não creio.

Depois, não estando dentro da cabeça do sr. Assange, há uma coisa que eu sei e que talvez possa ajudar o «Público»: é que,  no  mundo de hoje, e questões ecionómicas não mudam isso, só há uma super-potência e chama-se Estados Unidos da América, por sinal, o único país que está presente militarmente em quase todo o mundo e que mantém a ocupação de dois países estrangeiros, coisa que manifestamente não acontece com a China, como o Irão ou com a Alemanha.

Assange tem uma «intenção» ? É bem provável. E depois ? Também este editorial do «Público» a tem, ou não ?

28 de novembro de 2010

Falta saber se o FMI está pronto a governar com ele !

Para além do título deste «post» e da referência lateral a como é apropriada a colocação de mãos de Pedro Passos Coelho, o que eu hoje verdadeiramente quero é remar decidida e furiosamente contra a tumultuosa corrente que anda para aí a diabolizar o Fundo Monetário Internacional.

Na verdade, não sei o que se passa nestas cabecinhas pensadoras. Será que não sabem que, desde pelo menos há um ano ou mais, o FMI é dirigido pelo «camarada» do PS português, nem mais nem menos que o «socialista» francês Dominique Strauss-Kahn que, ainda há dias declarou, para grande sossego e alegria de todos nós, que o combate prioritário inha de ser pela «criação de empregos» ?

Bolas, há gente que nunca está contente ! Querem melhor garantia do que esta ?

26 de novembro de 2010

Não, naquela zona (duas Coreias), não ponho as mãos no fogo por ninguém, mas lembrei-me do "USS Maddox Incident". Sabem o que foi ?

Eu juro que não faço a mínima ideia se foram os norte-coreanos ou os sul-coreanos e os americanos (naquela altura em inocentes manobras navais na fronteira marítima com a Coreia do Norte) quem disparou primeiro na recente confrontação de artilharia registada entre os dois países.

Mas impressionou-me e achei extraordinário que, imediatamente, em Porugal e à escala universal, quase toda a gente desse por certo que tinha sido a Coreia do Norte.

E, então, lembrei-me de ter lido nalgum lado que, em Agosto de 1964, os EUA anunciaram ao mundo que o seu torpedeiro "USS Maddox" tinha sido atingido por torpedos lançados por navios do Vietname do Norte e que toda a imprensa americana e quase mundial deram de barato que assim era, que tinham sido os norte-vietnamitas a atacar a embarcação americana. O que deu muito jeito, porque Lyndon Johnson fez logo aprovar pelo Congresso uma poderosa intensificação do envolvimento militar dos EUA no Vietname.

O caso ficou conhecido como o "USS Maddox Incident" ou «Gulf of Tonkin Incident" (ler aqui). Anos mais tarde, investigações independentes e documentos divulgados pelo National Security Archive demonstraram sem margem para dúvidas que se tratou de uma montagem norte-americana de um  pretexto para aumentar a sua participação na guerra do Vietname.

Atenção: eu não juro por nada. Só aviso que, às vezes, demora a saber-se a verdade.

Acabo de ler no "Público" online este título: «Sócrates abre “diálogo social” por causa da crise». E também que esse «diálogo» é para assegurar o «crescimento económico» (comprometido por este Orçamento !). E, então, deixo só uma pergunta inocente: a desfaçatez, a hipocrisia e a fantochada não podem passar a pagar imposto ?.



Resumindo:

Com o PSD e através de não
sei quantos PEC's e do Orçamento,
Sócrates e o PS já decidiram
e impuseram tudo o que de mais
importante havia para decidir.
Agora vão dialogar
que se fartam.
Julgarão que somos estúpidos ?

25 de novembro de 2010

Dedicado à Helena Matos, ao Pedro Lomba e a tutti quanti acham que a greve geral praticamente foi só no sector público e que acham também que, em vez de greve geral, devia era haver uma guerra geral entre os diversos sectores de trabalhadores




Sim, queridos,
vocês têm carradas de razão.
Segue breve lista de
empresas, todas do
sector público
como se percebe logo
pelos nomes, onde houve
significativas adesões
à greve geral:


Autoeuropa
Setenave
Lisnave
Valor Ambiente
Gráfica Sacavenense
Rodoviária Alentejo
Cimianto
St. Gobain
Electrofer
Atlantic Ferries
Ferfor
Construções Vilaça & Pereira
Confetil (têxtil)
Bestoff ( ")
CelCat
Metal Sines
AP (Químicos)
Danone
Vista Alegre
Recipneus
Soflusa
Rodoviária de Lisboa
Brisa
Safires Services (limpeza)
Sapa Portugal
EDP
Inapal Metal
Christhian Dietz
Eurest
Climex
...

E sabem que mais ?

Não estou para me cansar mais
por vossa causa.
Se quiserem ler os nomes
de mais umas centenas

vão à página da greve geral
da CGTP.
Passar bem.

24 de novembro de 2010

A grandeza da greve geral e a pequenez de uma jornalista ainda nova mas mesquinha até mais não

Na mesma altura em que milhares de compatriotas seus faziam piquetes na greve geral e  centenas de milhares aderiam a esta magnífica jornada de luta, a jornalista Fernanda Cãncio  postava no seu blog - o «jugular» - um post apenas assim :

sede da cgtp intersindical nacional
f.


Claro, como é próprio dos cobardes, o post é elíptico e estupido mas dá para perceber que só pode ser querer ser ofensivo e  é velado mas dá para perceber que só pretender ser mesquinho. Em suma, em dia de greve geral, a senhora  jornalista Câncio dedicou-se ao tricot blogosférico nos termos que se vêem.

Sinceramente, uma vez sem exemplo,acho que a autora desta «gracinha» merece que a sua cara fique junto a ela. E, já agora, não f., mas f_ _ _- _ _ !

21 de novembro de 2010

Atenção, muita atenção: últimas exibições de um inesquecível tesourinho deprimente !


A não perder, de modo nenhum
aqui,
na segunda parte do Telejornal
de 20/11 da RTP,
dos 8,03 m. aos 10.30 m,
a memorável ilustração televisiva
do Ministro das Obras Públicas
e do respectivo secretário de Estado^
a repetirem linha por linha
o mesmo discurso,
para o mesmo Congresso
e para a mesma assistência.

A minha alma está parva, eles - PDS e CDS - são bons é na ficção ou se cá nevasse fazia-se cá ski


Entre o incrédulo, o aparvalhado e o boquiaberto, leio no Diário de Notícias que, numa sessão evocativa do 30º aniversário da morte de Sá Carneiro, conjuntamente promovida pelo PSD e pelo CDS em 4 de Dezembro, vai ser projectado um filme sobre como teria sido Portugal se o desastre de Camarate não tivesse ocorrido com as consequências mortais que se sabe. 
É claro que ainda é cedo para antever que carreira internacional estará destinada a este filme, presumindo eu que seja ao mesmo tempo um documentário e uma obra de ficção, mistura de géneros que só por si promete e que, se não fizer chegar a cinematografia portuguesa aos Óscares, talvez, pelo menos, eu possa escrever ao Robert Redford para o aceitar no prestigiado Festival de Sundance.

De qualquer forma, é nestas alturas que não devemos ser mauzinhos nem mesquinhos e antes devemos reconhecer que, se em Portugal há quem consiga fazer um filme com este script, então nem tudo está perdido.

É que, interpelado como teriam sido as coisas em Portugal se Sá Carneiro não tivesse morrido naquele funesto  dia, por mais  carradas de Ecstasy que me dessem, eu só conseguiria responder isto: se Sá Carneiro não tivesse falecido em 4 de Dezembro de 1980, estaria vivo... ou não.