14 de novembro de 2010

Apelo de Coimbra: chamem a polícia, um comunista criticou Ana Gomes e Francisco Louçã !

Tinha-me passado mas ainda vou a tempo de vos contar que aqui, o blogger (que também é historiador) Rui Bebiano, depois uma longa e agressiva  prosa sobre o PCP, sobre o Avante! e sobre um suposto « ataque pessoal a Ana Gomes e a Francisco Louçã» contido numa crónica de Jorge Cordeiro no jornal do PCP (é favor ler a crónica aqui porque dou alvíssaras a quem lá descobrir qualquer «ataque pessoal» seja a quem for), alinhava esta sentença meio lamúria meio truque de vitimização : «Claro que o facto de eu não gostar de ler o Avante!, e de não recomendar a outros que o leiam, não significa que aquilo que escrevo neste blogue e que refira de algum modo o PCP não seja imediatamente objecto de escrutínio e, como não poderia deixar de ser pois essa é «a escola», de algumas campanhas difamatórias. O mesmo acontecerá eventualmente com este post. A verdade é que até posso escrever 324 que falem do tempo que tem feito na ilha de Páscoa, do campeonato de críquete no Paquistão, de um filme inédito com o Buster Keaton e dos chilreios dos passarinhos, mas se ao tricentésimo vigésimo quinto escrever a palavra PCP toca algures uma sirene de aviso e os bombeiros-incendiários de serviço descem pelo varão para se meterem no carro e saírem a alta velocidade pelas ruas mal iluminadas da blogosfera. Vida difícil a deles. Mas foram eles quem a escolheu.»

E, como ele escreveu isto,  cheio de medinho de passar por «bombeiro-incendiário», nem tenciono escrever sobre que treta de democracia seria esta em que os Bebianos escreveriam quantas vezes e como quisessem sobre o PCP, os comunistas e o Avante! mas já qualquer resposta de comunistas seria um pérfido «ataque» filho de uma doentia vigilância de uma qualquer «brigada». E é também tomado pela bebiana intimidação que não tenciono escrever que era só que faltava que, lá por causa do BE e do PS poderem ser, num tempo futuro, aliados do PCP, os dirigentes comunistas ficassem impedidos de criticar Ana Gomes ou Francisco Louçã que nunca na vida deixaram de fazer o mesmo ao PCP sempre que lhes deu na real ganha. E, finalmente, é ainda por receio das palmatoadas blogosféricas do Bebiano, que não tenciono escrever- nem pensar, porra! - que de toda a prosa do blogger coimbrão o que mais tresanda é uma triste e indigna miséria de cultura democrática.
E, como não escrevi nada disto, espero que o Bebiano desta vez fique pelo menos com um mediano contentamento. Passar bem, senhor Professor.

De Espanha, pode não vir nem bom vento nem casamento mas vêm bons vídeos que também servem para a nossa greve geral de dia 24







e mais aqui :Download 07-Asistente Virtual.flv from FileFactory.com


Download 27-Eva Va A La Huelga.flv from FileFactory.com


Download 23-Tu Momento.flv from FileFactory.com

Sugestão construtiva: em tempo de crise e lutas sociais, talvez a RTP pudesse comprar esta série



Trata-se   de  Les Vivantes  et les Morts, série escrita e realizada por Gerard  Mordillat para o canal de televisão   France  2, onde passou em  cinco episódios de 8o minutos cada.

Sinopse
: « Rudi et Dallas travaillent à la Kos, une usine de fibre plastique. Le jour où l’usine ferme, c’est leur vie qui vole en éclat, alors que tout s’embrase autour d’eux. A travers l’épopée d’une cinquantaine de personnages, « Les Vivants et les morts » raconte l’histoire d’amour d’un jeune couple, Rudi et Dallas, emporté dans le torrent de l’histoire contemporaine. Entre passion et insurrection, les tourments, la révolte, les secrets de Rudi et Dallas et ceux d’une ville où la lutte pour la survie dresse les uns contre les autres, ravage les familles, brise les règles intimes, sociales, politiques. Dans ce monde où la raison financière l’emporte sur le souci des hommes, qui doit mourir ? Qui peut vivre ?»

12 de novembro de 2010

Mulher de armas, a Câncio não «descancia»

No «jugular», Fernanda Câncio, a caminho de verdadeira Padeira de Aljubarrota do PS, continua não dar tréguas em relação às mais variadas malfeitorias que, ao longo do tempo, foram sendo feitas aos bem-amados membros do governo de Sócrates.
Hoje, com aquela memória incomparavelmente selectiva com que a natureza a dotou, vem repescar o caso Fernando Lima e das alegadas escutas à Presidência e vem escrutinar o facto  de uma série de gente, entre a qual F. Lima (quanto a este bloggers de direita já a desmentiram) mas também Dias Loureiro and so on, que não aparece ao lado de Cavaco Silva na sua campanha presidencial.
Contado isto, só vos quero dizer, respeitados leitores,  que, tudo visto, o que a minha alma sofridamente anseia já não é o fim da crise mas sim que Fernanda Câncio escreva um «post» sobre aquele magnifico comportamente do jornal onde trabalha - o DN - quando no caso F. Lima publicou um mail de um jornalista do Público para um seu camarada de trabalho na Madeira, comportamento este que acaba de ser vigorosamente condenado pela Comissão da Carteira dos Jornalistas.
E, já agora, também arfo, suspiro e anseio pelo dia em que Fernanda Cãncio escreva um «post» ou talvez mesmo um «sermão impossível» (na Revista do domingo) fazendo a vasta lista de todo aquele pessoal que, pelas razões que são públicas e têm alimentado os noticiários judiciais, tão cedo nunca mais aparecerá ao lado de Sócrates em qualquer acto público.

11 de novembro de 2010

Se se fala de comunistas, determina o 11º mandamento que se diga que são só velhos

O Edgar Hoover ou, se preferirem, o Béria da blogosfera que se dá pelo nome de João Tunes, sempre à procura de matéria para ver se achincalha o PCP e os comunistas, deu-lhe hoje para postar misturando as comemorações do 7 de Novembro ocorridas em Moscovo e promovidas pelo Partido Comunista da Federação Russa com o habitual almoço que, ao que parece, se realiza na sede do PCP com a mesma finalidade.

Cansado de tanto veneno e palermice, só quero observar duas coisinhas:

- uma é que, embora faça os links da ordem, quanto ao discurso feito por Albano Nunes na sede do PCP, aquele soldado de uma velha e bafiente cruzada  não achou interessante relevar no seu «post» a afirmação daquele dirigente comunista de que «Nós, comunistas – sem ignorar erros, deformações e graves infracções aos valores e ao projecto comunista que conduziram às trágicas derrotas do socialismo – não só não esquecemos, como valorizamos e estudamos para aprender com as experiências do mais audacioso e grandioso empreendimento libertador de sempre.». E, como está de ver, não o fez pela simples razão de que a citada afirmação não batia certo com as deformações e deturpações que os Tunes e Cª persistentemente bolsam sobre a orientação do PCP.

- e a outra é que, quanto à manifestação em Moscovo (50 mil pessoas segundo o PCFR e 2500 (!!!) segundo a polícia), o cruzado em causa parece dar mais crédito à informação, insuspeita, como se calcula, de José Milhazes (mais um que, de origens sociais modestas, tirou lá o curso à custa do «socialismo real») de que era sobretudo gente idosa (apesar de ser referido que o PCFR anunciou ter admitido recentemente 25 mil jovens); quanto a este ponto, estamos sempre conversados: também cá são sempre idosos os comunistas e também cá só os comunistas é que envelhecem, os outros compraram não se sabe aonde o elixir da juventude.
E, assim sendo, para descanso dos Tunes e de mais alguns, só tenho de concluir humildemente que devem ser falsas e obra de contra-informação as duas fotos que se seguem e que constam do sítio do PCFR como reuniões de jovens daquele partido.
.

( é certo que, para os nossos gostos, os jovens do PCFR
têm um ar compostinho demais mas, compreendamos,
deve ser o «style» que lá está na moda)

Um nome que é todo um programa

Em tempos de pura e dura intoxicação ideológica em torno da crise, das suas causas e responsabilidades, não devemos desperdiçar nenhuma oportunidade para conhecer o trabalho de economistas e professores que, pelo mundo fora, a maior parte das vezes fora dos grandes holofotes mediáticos, dão firme combate às mistificações e sofismas dominantes.
É o caso do sítio  norte-americano saborosamente intitulado Post-Austistic Economics Review (nome escolhido a dedo para sublinhar o corte - ou autismo - entre os cursos de Economia e a realidade) que publica regularmente uma newsletter, de cujo nº 53 de Março deste ano destaco desde já o seguinte artigo de Richard Smith

Beyond growth or beyond capitalism?



Resumo do artigo:: Recent publications have revived interest in Herman Daly’s proposal for a Steady-State Economy. This paper argues, first, that the idea of a steady-state capitalism is based on untenable assumptions, starting with the assumption that growth is optional rather than built-into capitalism. I argue that irresistible and relentless pressures for growth are functions of the day-to-day requirements of capitalist reproduction in a competitive market, incumbent upon all but a few businesses, and that such pressures would prevail in any conceivable capitalism. Secondly, this paper takes issue with Professor Daly’s thesis, which also underpins his SSE model, that capitalist efficiency and resource allocation is the best we can come up with. I argue that this belief is misplaced and incompatible with an ecological economy, and therefore it undermines Daly’s own environmental goals. I conclude that since capitalist growth cannot be stopped, or even slowed, and since the market-driven growth is driving us toward collapse, ecological economists should abandon the fantasy of a steady-state capitalism and get on with the project figuring out what a post–capitalist economic democracy could look like.
 

10 de novembro de 2010

A cegueira como mestra e o ódio como bússola

Uma amiga chama-me agora a atenção para uma infame bojarda escrita há dias por um «blogueiro» que, em matéria de comunismo e de PCP, escreve sempre como se fosse uma avançadíssima cirrose a comandar-lhe a teclagem das palavras no computador.
Na verdade, o sujeito, como é direito que ninguém lhe nega, decidiu foguetear efusivamente o que comummente se chama a «queda do Muro de Berlim»  (até o próprio parece reconhecer que, do ponto de vista físico, foi um responsável da RDA que mandou abrir os portões para as pessoas passarem e não o muro que foi derrubado), despejando no final esta peróla em que, por sinal, se confundem desejos com realidades: « Esse terá sido, de facto, em 9 de Novembro de 1989, “o momento” da morte do comunismo, pela falência desse projecto em todas as partes em que foi ou ainda é seguido e de que hoje, como adeptos na Europa, restam os "souvenirs" do comerciante berlinense na segunda foto, o marxismo-leninismo de sociedade recreativa género saudade leninista patriótico-lusitana do tipo "Jerónimo & Xico Lopes" e pouco mais».
Sobre a questão de fundo, hoje não vou ocupar-me dela, a não ser para lembrar que já vi várias vezes, naqueles canais de cabo de que nunca nos lembramos qual foi, um documentário que mistura imagens e declarações da época com declarações posteriores dos mesmos protagonistas (designadamente opositores internos do regime da RDA) e uma coisa vos posso garantir: naqueles tempos que precederam a «queda do murro» e naquele documentário ninguém falava em "reunificação" (e muito menos na real anexação que veio a acontecer) ou em restauração do capitalismo  e a tónica dominante dos discursos e aspirações era de «democratização» e «renovação do socialismo» naquela República distinta da então  RFA.
Não, o que queria classificar como politicamente abjecto e como tresandando a puro ódio
é aquela referência  ao « marxismo-leninismo de sociedade recreativa género saudade leninista patriótico-lusitana do tipo "Jerónimo & Xico Lopes"».


É claro que nunca saberemos o que o «blogueiro» em questão terá contra as sociedades recreativas embora se saiba que têm a idade suficiente (bastante mais do que eu) para saber como essas sociedades até foram, em muitos casos, núcleos importantes das redes da resistência antifascista.
Mas, tirando isto, não é díficil perceber que este por sinal deslumbrado apoiante de Alegre não conseguiu disfarçar a sua costeleta de classe e que a referência à sociedade recreativa é  filha directa de um mal disfarçado desprezo pelas origens sociais de Jerónimo de Sousa e de Francisco Lopes.
Tivessem os dois andado pelas associações de estudantes do ensino superior e não haveria piadas deste género, ou seja, é  mesmo o espirito de classe (ba burguesia «ilustrada») a falar como um livro aberto.
Mas o que mais impressiona é que gente deste quilate do que mais gosta é de afirmar e sentenciar e não de demonstrar ou justificar.
Porque eu gostava de saber o que é isto do «marxismo-leninismo de sociedade recreativa» aplicado ao PCP, isto é, aplicado a um partido do qual de pode discordar profundamente mas que não se pode negar que tem um incomparável património de acção e de reflexão sobre os problemas nacionais que, aliás, graças à internet, está hoje acessível a todos os que se interessarem e não quiserem ficar pela preguiça dos «clichés» e do cuspo visceralmente anticomunista.
No meio disto tudo, há porém uma coisa que me faz felizé que  tipinhos como este, como querem continuar a parecer de esquerda, volta não volta, lá estão ou a formular observações críticas semelhantes às do PCP ou então a apoiar lutas, formas de luta e causas que não teriam a importância e o impacto que têm se a elas o PCP e os comunistas portugueses, de forma pública ou não-pública, não lhes consagrassem o melhor das suas energias.

6 de novembro de 2010

À atenção das Câncios, dos Serras Pereiras, Tunes e Cª para quem a China é agora o «império do mal»

Exclusivamente a título de informação
sobre dados sistematicamente ocultados
pelos doentes políticos com a China,
e sem com isto querer dizer nada
para além do que os dados do recente
Relatório sobre Desenvolvimento
Humano da ONU
, proponho
uma interessante comparação entre
dois colossos em termos populacionais:
a tão falada China
e a tão esquecida India.




População :
China - 1.350 milhões
India - 1.130 milhões

Posição no ranking de IDH
China - 89º
 India - 119º

Índice de pobreza
multidimensional
(contagem de pessoas %- 2000/2008)
 China - 12,5
  India  - 55,4 

População abaixo do limiar
de pobreza
China -  15,9%
 India -  41,6%

População com pelo menos
ensino secundário 
 China - M. 54,8% H. 70,4%
India - M. 20,6% H. 50,4%
 Taxa de mortalidade materna
China -    45
 India  -  450

Média de anos de escolaridade
China - 7,5 
India  - 4,4

Rendimento Nacional Bruto
per capita (PPC em USD 2008)
China - 7,258
   India - 3,337 



Esperança de vida à nascença
China - 73,3 anos 
 India - 64,4 anos

and so on...

E agora só fico a aguardar
que aqueles defensores
do capitalismo que são tão expeditos
a carregar sobre os ombros
dos comunistas portugueses
as responsabilidades sobre tudo
o que aconteceu ou acontece a
milhares de quilómetros de distância,
assumam eles a sua responsabilidade
pelos tristes indicadores da
capitalista India por
comparação com a malvada
China Popular.
Vamos a isso, minhas senhoras
e meus senhores.
Não se atrasem.

5 de novembro de 2010

E se os enojados com a advogada egípcia se enojassem com o caso de Mordechai Vanunu

Para o caso de os ilustres bloggers em causa não saberem quem é, basta esta entrada da Wikipédia: « Mordechai Vanunu , nascido em 13 de outubro de 1954, e também conhecido pelo seu nome de batismo, John Crossman, é um ex-técnico nuclear israelense que revelou detalhes do programa nuclear do Estado de Israel para a imprensa britânica em 1986. Logo depois, foi raptado em Roma por agentes do serviço secreto israelense (Mossad), e levado de volta a Israel, onde foi julgado e condenado por traição.
Mordechai Vanunu permaneceu preso por 18 anos, sendo mais de 11 deles em prisão solitária. Vanunu foi solto em 2004, porém ainda sujeito a uma série de restrições de comunicação e movimento. Desde então Vanunu já foi preso por diversas vezes, acusado de não respeitar tais restrições. Em março de 2005, foi citado por 21 acusações de "contravenção à ordem legal", num máximo de 2 anos de prisão por acusação, e desde então espera pelo julgamento em liberdade. Os procedimentos legais estão em andamento, assim como o recurso de Vanunu, que espera ser julgado pela Suprema Corte Israelense.»



E mais. Senhores e senhoras
bloggers enojados: se quiserem
saber mais, a página de
Mordechai Vanunu está
aqui
.

4 de novembro de 2010

ai tão enojados que eles estão !

No jugular Shyznogud  fala de «asco» e no vias de facto Miguel Cardina fala de «nojo» a propósito de um video em que uma advogada egipcia faz alegadamente a defesa da violação de mulheres israelitas como forma de resistência.
Em termos de rigor, começa por ser necessário esclarecer que os ilustres bloggers foram induzidos em erro pelo título do vídeo que diz que ela «sugere violação de mulheres israelitas» quando, na verdade, ela declara aos 1.19 minutos  que «os combatentes árabes não iniciariam tal coisa já que os seus valores morais são muito mais nobres». O que advogada de facto diz, e isso é sem sombra de dúvida condenável e reprovável, para além de promover o assédio sexual como forma de luta,  é que se isso acontecesse às mulheres israelitas não era mal feito porque, nas suas palavras, os israelitas violam a terra dos palestinianos.
Em resumo, lamentar ou condenar uma tal ideia é uma coisa e outra, bastante excessiva, tendo em conta o que a advogada de facto diz, é criar um grande escândalo e usar palavras como «nojo» e asco».
E permanece um interessante mistério saber porque é que estes bloggers resolveram dar tanta importância a estas declarações de uma desconhecida advogada egípcia quando não me lembro que alguma vez tenham colocado nos seus blogues vídeos com afirmações terroristas daquele Avigor Liebeman, ou lá como se chama, que é político israelita de extrema-direita e até foi ou ainda é ministro. E que também nunca tenha visto nestes blogues nenhum vídeo com aquelas muito tolerantes e sensatas palavras que os construtores judeus de novos colonatos costumam debitar.

Mas o mais engraçado, ou talvez o mais triste, é que noutra ocasião qualquer estes enojados bloggers até são capazes de se referir às décadas de sofrimento e humilhação que os palestinianos e os árabes levam sobre os ombros por parte do sionismo. Mas não são capazes de perceber (não se trata  de justificar ou absolver), que certos excessos verbais (e outros radicalismos bem mais mortíferos) são filhos dessa mesma prolongada humilhação.


1 de novembro de 2010

Uma terrível pergunta apontada às consciências de todos nós

Mesmo admitindo que fosse inteiramente credível a sondagem da Católica hoje publicada no JN e admitindo que seria  fidedigno o dado revelado que só 7% dos contratados a prazo ou a termo se disporiam a fazer a greve geral (em considerável diferença com outros trabalhadores), então a grande, devastadora e incontornável pergunta, apontada às consciências de cada um de nós, que se impunha, é


30 de outubro de 2010

Paulo Varela Gomes e o passo seguinte

Hoje, também no "Público" volta ao tema, regista as imensas cartas  de apoio que recebeu, até aqui nada demais,  mas sobretudo dá um grave passo que, bem vistas as coisas, não era díficil prever viesse a seguir à declaração acima citada. 
Com efeito, depois de perguntar «o que é a oposição», Paulo Varela Gomes responde ele próprio (sublinhados meus, outra vez): «O CDS já esteve no poder algumas vezes.  A esquerda parlamentar tornou-se a esquerda mansa e respeitável das «alternativas e das «propostas», talvez convencida de que parecendo ter  «soluções», ganha votos, e de que esses votos a aproximam um centímetro que seja do poder.  É uma  esquerda que acabou tão identificada com o regime que parece ter-se esquecido de que o seu lugar tradicional é na rua , e a sua atitude histórica é a do confronto».
Aqui chegado, torna-se para mim  absolutamente evidente  e cristalino que o radicalismo emocional e desesperado da primeira citação estava mesmo a exigir a amálgama injusta e desonesta entre partidos  e sobretudo uma falsificação de todo o tamanho sobre as orientações e concepções do PCP sobre o qual faltará saber se já não terá havido tempos anteriores em que Paulo Varela Gomes o terá considerado um mero partido de protesto, tribunício e de agitação social.
Dito isto, não vejo espanto nenhum que Paulo Varela Gomes tenha recebido muitas cartas de apoio. Em situações económicas e sociais como as que se vivem apelar ao grito de alma individual e  ao radicalismo verbal mas inconsequente é fácil, não exige muito e dá certamente muitas cartas recebidas.
E, sobretudo, o que me parece imperdoável é este amesquinhamento por Paulo Varela Gomes das forças e corpos de convicções que, de facto, são indispensáveis para a mudança e a ruptura necessárias.
Além do mais, Paulo Varela Gomes que desculpe qualquer coisinha, mas eu, sendo favorável a um imenso alargamento da base social da luta contra esta política ( e designadamente com vista à greve geral de  24/11), não confio propriamente na chamada «classe média» como principal força propulsora da luta pois é historicamente conhecida a volatilidade dos seus humores e a inconstância dos seus objectivos políticos.

26 de outubro de 2010

O Cubana Flight 455, Posada Carriles, Yoanni Sanchez e direitos humanos

Cubana Flight 455
(segundo Wikipédia)

Le Vol Cubana 455 était un Douglas DC-8 appartenant à la compagnie aérienne Cubana et qui explosa en plein vol le 6 octobre 1976 cinq minutes après avoir décollé de la Barbade, dans un attentat commis par l'anti-castriste Luis Posada Carriles. L'explosion causa 73 morts.
Des documents de la CIA rendus publics en 2005 ont montré que l'agence de renseignement américaine avait été informée[1] que Posada préparait une attaque contre un avion cubain, sans qu'elle participe pourtant à l'élaboration de ce projet[2].
Quatre personnes ont été arrêtées suite à l'acte terroriste : Freddy Lugo et Hernan Ricardo Lozano, condamnés à 20 ans de prison ; Orlando Bosch, acquitté en raison d'irrégularités techniques dans la présentation des preuves contre lui (non-traduction en espagnol des documents apportés). Il a été libéré après onze années de détention provisoire, le gouvernement vénézuélien n'ayant pas épuisé toutes les possibilités d'appel, et vit aujourd'hui à Miami) ; Luis Posada Carriles, qui s'échappa de prison et se trouve actuellement aux États-Unis.
Parmi les victimes se trouvaient notamment les 24 membres de l'équipe cubaine d'escrime de 1975 (qui venait de remporter les championnats d'Amérique centrale et des Caraïbes), ainsi que diverses personnalités politiques cubaines (dont Manuel Permuy Hernández, directeur de l'INDER, Institut National des Sports; Jorge de la Nuez Suárez, secrétaire en charge de la pêche à la crevette ; Alfonso González, Commissaire national des sports à arme à feu; ainsi que Domingo Chacón Coello, fonctionnaire du ministère de l'Intérieur), cinq officiels de Corée du Nord ainsi qu'un caméraman coréen.
Lugo et Luzano ont été libérés en 1993 et résident désormais au Venezuela.



Passagem sobre este assunto
da entrevista (de muito proveitosa
leitura) de Yoanni Sanchez
ao jornalista francês Salm Lamrani
 
SL - O que acha de Luis Posada Carriles, ex-agente da CIA responsável por numerosos crimes em Cuba e a quem os Estados Unidos recusam-se a julgar?
YS - É um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.
SL - Interessa, pelo menos, aos parentes das vítimas. Qual é seu ponto de vista a respeito?
YS - Não gosto de ações violentas.

25 de outubro de 2010

Tunes, Yonni Sanchez, Fariñas e uma comparação

Um dos maiores tunantes da blogosfera nacional, talvez a maior câmara de eco nacional da blogger cubana Yoanni Sanchez oferece-nos hoje aqui a última crónica da jovem dama que, surprise, é dedicada à atribuição do Prémio Sakharov ao seu compatriota Guillermo Fariñas.

Acontece que, lá para o fim do texto, referindo-se a Fariñas, Y. Sanchez atribui-lhe «Uma lhaneza que nem os microfones de todos os jornalistas que o entrevistaram nestes dias, nem as luzes das câmaras conseguiram mudar.»

Resolvi tirar-me das minhas tamanquinhas e perguntar ao meu pai que foi um combativo resistente antifascista se, no tempo do fascismo, as pesonalidades da oposição democrática também davam muitas entrevistas a jornalistas estrangeiros.

De sobrolho carregado e a estranhar o porquê agora da pergunta, respondeu-me em curto duas coisas:

- uma é que os jornalistas estrangeiros, salvo alguma honrosa excepção, nunca mostraram particular interesse por entrevistarem nem mesmo as figuras mais destacadas, e na legalidade, da oposição democrática;

- e a outra é que, ainda que assim não fosse, seria completamente impensável que a PIDE consentisse qualquer corropio de jornalistas e de câmaras de televisão erstrangeiras na residência de qualquer dessas personalidades democráticas portuguesas.

Moral da história:  em regime de self-service.

24 de outubro de 2010

E porque não para a guerrilha já e em força ?


Esta rapaziada sabe perfeitamente que não há nenhumas condições objectivas e subjectivas para que atitudes deste tipo possam ser seguidas por centenas de milhar de trabalhadores e cidadãos portugueses, sobretudo quando se sabe que, para a maioria, até a perda de salário por um dia de greve faz diferença no quadro de aperto e aflição económica em que vivem, para já não falar do milhão de precários.

Assim sendo, o que parece é que entrámos no campeonato do radicalismo e que há quem escreva e apoie estas coisas só para ficar na fotografia como o mais teso, o mais firme, o mais corajoso, o mais radical e o mais revolucionário.

Não queria ficar mal nesta fotografia. E, por isso, aqui anuncio que, por mim, até estou disposto a iniciar a guerrilha na Serra da Estrela, inspirado na percursora Helena Matos nos idos de 1975. O bom do Paulo Varela Gomes e o menos bom do Miguel Serras Pereira podem inscrever-se através do telefone móvel 962 345 989.